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“Hockey, aquele esporte que pode brigar?” – Texto 3 da série “Regras do hockey”

By on junho 2, 2015 in Game of Hockey, Rules with 0 Comments
(Francois Lacasse/Getty Images)

(Francois Lacasse/Getty Images)

Campinas – BR – Salve, torcedor bleu, blanc & rouge!

Aehooo!

Chegou o esperado momento de falar sobre elas: As brigas, tretas, pancadarias, sururus, pugilatos, brawls, ou como quiser chamá-las; o principal rótulo do esporte no Brasil. Não faço nem questão de esconder a empolgação ao falar sobre o assunto, mas é preciso deixar bem claro como as brigas são apenas parte do show, como se diferem de uma briga de rua ou uma luta de MMA. Então vamos entender como, com o quê, quando e onde pode brigar no hockey.

Vamos começar respondendo a pergunta que me é feita com maior frequência, e intitula esse texto: “Hockey? Aquele esporte que pode brigar?” , e suas variações do tipo “Mas saem na pancada no meio do jogo mesmo”?

Sim, as brigas são regulamentadas  no esporte, acontecem em vários jogos, e em praticamente todas as ligas profissionais e juniores, mas geram penalidades em jogo para os envolvidos, e seguem, além da regra da liga, o código de honra e desportividade.

Como tradição histórica do esporte, as brigas nos jogos geralmente têm duas motivações: As premeditadas, majoritariamente pessoais, e as espontâneas, que decorrem do calor do jogo; as primeiras, acontecem em jogos de maior rivalidade, quando os gooners (ou brigões) dos times se provocam via mídia, redes sociais, ou até por trash talk no banco de reservas e cartazes erguidos por torcedores; enquanto as brigas decorrentes do calor do jogo geralmente começam com um check considerado desleal pela “vítima”, que logo deixa de ser uma vítima e parte para cima, no hockey não há espaço para jogadores “zen, ou moles”, pode também derivar do instinto natural de todo skater de proteger seu goleiro, que causa uma série de troca de afetos com os adversários a cada vez que o goleiro “congela” o disco.

Como já citado, cada time tem um ou dois gooners, que são os jogadores mais intimidadores, maiores, mais feios, e mais fortes do time, eles são como guarda-costas para os goleiros e jogadores mais leves e menores, e não te perdoarão se você resolver usar um high-sticking, cross check ou cotovelada em seus protegidos. Os gooners mais recentes dos Montreal Canadiens são Brandon Prust (ainda no elenco), Sheldon Souray (jogou entre 2000 e 2007), outros clássicos briguentos da liga são Jarome Iginla, Jordin Tootoo, e Vincent Lecavalier.

Brandon Prust

Brandon Prust troca afetas com jogador do Sabres.

As opiniões sobre quão reguladas e, até se realmente devem ser permitidas as brigas, divergem muito entre jogadores, técnicos, jornalistas e cartolas do esporte. Não poderia ser diferente também, o assunto é polêmico até para os torcedores nas arenas, na minha experiência pessoal, quando fui ao GM Place, em Vancouver, assisti a um jogo entre os Vancouver Canucks e os Nashville Predators, no qual houve uma briga, e metade do estádio vibrava, a outra metade vaiava; me marcou a seguinte frase dita por algum torcedor sentado perto de mim: “I didn’t pay a hundred bucks for that“, ou “Não paguei 100 dólares para ver isso”.

A verdade é uma: o incômodo causado pelas brigas no hockey não supera, nem de perto, a atenção que elas atraem para o esporte, e, com ela, o dinheiro arrecadado; como bem sabemos, é o dinheiro que manda no mundo, então as brigas continuarão.

As recentes mudanças nas regras de brigas na NHL para tentar reduzir a frequência das brigas adicionando dois minutos de penalidade ao jogador que retirar o capacete para brigar, considerando o fato que todos os jogadores que entram na liga são obrigados a usar viseira, tornam as brigas bem mais chatas para os briguentos, já que estarão esmurrando viseiras de acrílico, o que, sinceramente, não é, nem de perto, tão gostoso como esmurrar um nariz ou sobrancelha.

Sobre isso, o center dos Dallas Stars, Antoine Roussel, disse: “We´re gonna keep fighting, it’s still hockey, and people still pay for front row seats to watch it and punch the boards”, ou “As brigas continuarão, o esporte ainda é hockey, e as pessoas ainda pagam por assentos na primeira fileira para assistir brigas enquanto batem na grade acrílica” . Não há como mudar, as brigas continuarão existindo, e se, ao invés de cinco, os jogadores tiverem que pagar sete minutos de penalidade pela briga sem capacete, assim farão.

Vale lembrar que em jogos olímpicos e da IIHL (Órgão Internacional de Hockey), não são permitidas brigas de forma alguma, pois não condizem com o espírito olímpico ou o de jogos entre seleções que representam nações, imaginem só como seriam as brigas em jogos como França x Inglaterra ou EUA x Rússia.

Na NHL, as brigas são permitidas à qualquer momento do jogo, desde que se joguem as luvas e tacos no chão, apenas mãos podem atingir o adversário, não são permitidas cotoveladas, joelhadas, cuspidas, mordidas, estrangulamentos com o colarinho da camisa, e goleiros podem apenas brigar entre si. Os jogadores são punidos com cinco minutos no cantinho do pensamento, e mantém-se 5 contra 5 no gelo (se a briga acontecer com menos de cinco minutos faltando para o fim do jogo, os jogadores são multados).  O uso de qualquer tipo de arma como o taco, o patins, o disco, ou qualquer material alheio ao jogo numa briga é punido com a exclusão permanente do jogador da partida, além do jogador ir a julgamento, podendo pagar altas multas, ser suspenso, expulso da liga, ou, em casos extremos, até preso.

Espero que esteja bem claro que o hockey não é uma luta-livre sobre patins, mas as brigas, que dividem opniões fazem parte da cultura e do charme do esporte. O que vocês pensam a respeito? Ainda tem alguma dúvida sobre o assunto? Quer saber sobre alguma regra específica? É só perguntar aqui nos comentários ou, se preferir, me perguntar pelo twitter @HenryPardazs ou @allhabsbr.

E como estamos abordando o tema, fiquem com esse vídeo cheio de amor, troca de afetos e carícias entre os atletas da NHL:

Go Habs Go!

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